Rico e Consciente

MARIA FONTAINE

Um momento triste no meu dia é quando escuto as notícias, porque relatam principalmente situações terríveis. Em muitas partes do mundo, tanto os que não abraçam a fé cristã como os cristãos convictos estão passando por alguma situação muito dolorosa.

Praticamente tudo nas notícias é trágico, desde guerras e conflitos na Somália e no Afeganistão a violência ligada ao narcotráfico no México, na Guatemala e no Brasil, aos sem teto nos EUA, perseguição dos cristãos no Egito, Paquistão, Índia e Indonésia à devastação na Austrália, no Haiti, Paquistão, Brasil, Chile e Japão; catástrofes em minas no sudeste asiático, escassez de água no Oriente médio e governos opressivos na Coréia do Norte e no Zimbábue.

Além dessas, há muitas outras situações tristes no mundo, como, por exemplo, escravidão humana, tráfico, resíduos tóxicos, crimes em todos os países, pragas de gafanhotos, doenças, gangues, fome, poluição da água, pobreza, inundações e catástrofes, e aí por diante.

Se pensarmos apenas em tudo de errado que acontece podemos até ficar deprimidos. Mas graças a Deus, se olharmos para Jesus, Ele vai usar essas coisas para nos mostrar uma outra perspectiva.

Lembrar das grandes dificuldades enfrentadas por tantos sempre ajuda a desviar a minha atenção dos meus próprios problemas e dificuldades que considero enormes. Ser relembrada constantemente dos horrores e traumas vivenciados por tantos cada dia reitera para mim que as minhas batalhas são insignificantes, além de reafirmar como sou abençoada cada dia por não ser influenciada o mínimo que seja por tantas situações extremamente tristes e difíceis.

Vejo como sou rica no espírito e em bênçãos, e que as minhas necessidades são supridas com abundância. Eu passo por caminhos agradáveis, contemplando campinas tranquilas, ouvindo música linda. Eu não ouço bombas explodindo, não tenho que beber água contaminada, não moro em um barraco de papelão nem tenho que me sujeitar a assédio verbal e moral por parte de um chefe.

Não estou presa em uma cela imunda; tenho liberdade; o país onde vivo está em paz. A maioria das pessoas com quem tenho contato sorri para mim e diz palavras gentis. Tenho liberdade para difundir a minha fé. Posso desfrutar da companhia das pessoas que amo; divirto-me, tenho amigos e convívio. À noite, no frio, eu tenho cobertas quentinhas, além de que posso sair sem medo.

Em muitos sentidos eu sou verdadeiramente rica!

Para mim, ouvir as notícias é uma boa experiência. Primeiro, ajuda-me a orar; segundo, a ter uma atitude muito mais positiva e agradecida pelo fato dos meus fardos serem leves e praticamente insignificantes em comparação com a carga que tantos outros carregam.

Deus nos ensina ou lembra Suas verdades ou princípios de maneira personalizada para que possa fazer contato conosco — se estivermos atentos e receptivos – não importam as circunstâncias, onde estejamos ou o que façamos.

Alguns dias depois que escrevi estes comentários, li um artigo expressando algo semelhante que o Senhor falou para outra pessoa. Segue-se um trecho do artigo:

O pastor da Birmânia falou sobre a fé obstinada do povo karen, que, mesmo sendo desalojado, torturado, preso e morto por causa da sua crença se apega a Cristo. Ele mostrou uma filmagem chocante [de crueis ataques contra homens, mulheres e crianças]. Chegou a um ponto em que muitos mal conseguiam assistir. Depois de dez minutos o pastor pausou dizendo que pararia por ali antes de chegarmos aos trechos violentos.” (Antes? Fica pior? E, mais uma vez, o que se evidenciou foi a alegria que o pastor emanava livremente e a sua confiança em Cristo e na vitória.)

Caí na real. Retornei ao meu primeiro amor. Restaurou em mim a alegria da salvação. Fez-me sentir como um molengão.

Converter-me e assumir um compromisso de seguir a Cristo não me custou quase nada. … no entanto, sempre acho razão para reclamar. A mínima provocação e eu já me sinto injustiçado, “perseguido”, desvalorizado… não demora muito e a minha gratidão já se transforma em sentimentos amargos e a minha alegria em exigências. Senhor, tenha misericórdia.

… Certa vez, um motorista acelerou para chegar à rotatória na minha frente, o que suscitou sentimentos não muito de louvor. Então lembrei e agradeci a Deus. Foi um pequeno passo, nada muito glorioso. Não me custou nada.

Tenho muito a aprender sobre o Reino de Deus com o povo karen nos seus vilarejos.— Mark Buchanan1

É verdade, talvez travemos batalhas e enfrentemos tristeza profunda e grandes sofrimentos; às vezes talvez não nos sintamos muito ricos, mas no espírito e até mesmo fisicamente somos ricamente abençoados em termos de segurança, provisão, liberdade e resposta a muitas questões da vida.

Sendo assim, temos a responsabilidade de compartilhar o que possuímos com aqueles a quem o Senhor nos guiar e orar pelos que sofrem e enfrentam grandes perdas. Não sabemos o que o amanhã nos trará, mas eu sei que se cuidarmos bem do que recebemos hoje, Deus nos dará o que for preciso para seguirmos adiante.

Se quiser mais artigos de Maria Fontaine, visite o Espaço dos Diretores.


Notas de rodapé
  1. Pastor e escritor freelance que mora na costa oeste do Canadá.