A Santidade de Deus

PETER AMSTERDAM

Deus possui um modo de ser diferente dos de todos os outros seres. Só Ele é infinito e não criado. Os demais são finitos e criados1. Por conseguinte Ele é diferente de todas as coisas criadas. É o que se chama na teologia de transcendência de Deus, o que significa que Ele existe à parte do universo material e não está sujeito às limitações deste. Transcendência quer dizer que o Seu ser é de melhor qualidade que o nosso, que é o que se espera de um criador, em relação à Sua criação.2 O termo bíblico para essa diferença —a “alteridade” de Deus— é santo.

O significado da santidade

A palavra hebraica Qodesh traduzida como “santo” e todas as palavras da mesma família linguística, sugerem separação, santidade, apartação, pureza. Dizer que Deus é santo quer dizer que Ele é separado, distinto e “totalmente outro” em relação a todo o resto.

A santidade de Deus, em relação ao Seu ser essencial representa tudo em Deus que O torna diferente e maior do que nós. Ela representa a divindade de Deus. A santidade de Deus é a diferença essencial entre Ele e o homem. Somente Deus é Deus, não há ninguém como Ele. É sagrado. Deus é o Criador; o homem, a criatura. É superior ao homem em todos os sentidos. É divino.

A santidade é também vista como um atributo moral de Deus. Do ponto de vista moral, Deus é perfeito, o que também o distingue completamente do homem, que é pecador. A exemplo de vários dos outros Seus atributos, a santidade, apesar de O separar essencial e moralmente da humanidade, é uma qualidade da qual podemos partilhar em um pequeno grau. Qualquer santidade que podemos ter, tanto em função de sermos separados por Deus e consagrados a Ele, ou no nosso comportamento moral, é apenas uma pálida sombra da santidade de Deus, infinitamente superior à nossa. A diferença é que enquanto podemos realizar atos santos, Deus é santidade.

A santidade de Deus denota Sua majestade suprema, Sua grandiosidade, que Ele é extremamente exaltado sobre todas as criaturas. Na visão que Isaías teve de Deus, descrita no sexto capítulo do seu livro, o profeta falou sobre a santidade de Deus:

Eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as orlas do Seu manto enchiam o templo. Os serafins estavam acima dEle, cada um tinha seis asas: Com duas cobriam os Seus rosto, com duas cobriam os Seus pés e com duas voavam. E clamavam uns aos outros, dizendo: “Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da Sua glória!”—Isaías 6:1–3

Você provavelmente observou que nesse versículo é dito que é “santo, santo, santo”. O ministro cristão e professor Timothy Keller explica que, no hebraico do Antigo Testamento, a magnitude é expressa pela repetição da palavra.

Aqui, Deus é retratado como tão santo que o adjetivo é dito três vezes. Deus não é só “santo” nem “santo santo”. Ele é “santo santo santo”. Ele está em uma categoria superior a todas as demais.3

A incomparável natureza de Deus

A santidade de Deus é infinitamente santa. É a santidade em mais alto grau. É superlativa. Não há outra santidade como a dEle. Isso não só é verdade com respeito à Santidade de Deus, mas sobre todos os Seus atributos. O amor de Deus é o amor do mais alto grau. Sua sabedoria, conhecimento, poder e todas as qualidades de Deus são superlativas. Não há nada que se compare a Ele. Enquanto nós, seres humanos, podemos ter um pouco de algumas dessas qualidades, pois somos feitos à Sua imagem, nossos atributos jamais poderão se comparar à magnitude ou à infinidade das qualidades de Deus. Ele é amor puro, poder puro. Só Ele é santo, santo, santo.

“Não há santo como é o Senhor; não há outro além de Ti; rocha nenhuma há como o nosso Deus.”—1 Samuel 2:2

Além de a essência e o ser de Deus serem (ontologicamente) “inteiramente outros”, Ele também é separado e distinto em sua natureza ética e moral. A retidão de Deus transcende tudo que Ele criou. Ele é moralmente perfeito em Seu caráter e em Suas ações. É puro e justo, isento de desejos, motivações, pensamentos, palavras ou atos errados. É eterna e imutavelmente santo.4 Possui pureza divina sem nenhum sinal de impureza e, dessa forma, está separado do pecado da humanidade.

No Antigo Testamento, os israelitas, tanto os sacerdotes quanto o povo, foram instruídos a seguir muitos ritos e cerimônias de purificação. Qualquer coisa que contaminasse a pessoa, tornando-a impura ou imunda, externa ou internamente, os impedia de se aproximar de Deus e Sua morada, o tabernáculo ou templo. Por isso, Deus lhes disse para realizar essas cerimônias de purificação, como uma demonstração de que o Santo estava separado de tudo o que não é santo.

Como Deus é pura santidade em si, está separado de todo o mal moral, do pecado, e não pode ter comunhão com o pecado. É uma ofensa à Sua própria natureza. Na Bíblia diz: “Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal, e a opressão não podes contemplar.”6

Por causa da santidade que Lhe é inerente, Deus não tolera o pecado, ainda que todos os humanos pequem. No entanto, como Deus também é extremamente amoroso e misericordioso, criou o plano de redenção que exigia a encarnação de Jesus, Sua vida sem pecado, e Sua morte na cruz pelos pecados da humanidade, elementos satisfazem à retidão e à justiça de Deus e que trazem a reconciliação entre Deus e aqueles que recebem Jesus. Deus fez isso por amor a nós, Sua criação.

“Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”—João 3:16

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Notas de rodapé
  1. Jack Cottrell, What the Bible Says About God the Creator (Eugene: Wipf and Stock Publishers, 1996), 211.
  2. J. I. Packer, Attributes of God, part 2. Lecture 11, Transcendence and Character.
  3. Timothy Keller, “The Gospel and Your Self,” Redeemer Presbyterian Church, 2005.
  4. Gordon R. Lewis and Bruce A. Demarest, Integrative Theology, Book 1 (Grand Rapids: Zondervan, 1996), 233.
  5. Habacuque 1:13 NVI.5Salmo 5:4 NAU.